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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

...FIAT...

O nosso fiat... Sim incondicional Há momentos em que dizer "sim" ao projeto de Deus é extremamente difícil, mas é o que Deus quer dos seus amados. A Deus não se pode dar resposta medíocre ou parcial. Contemplar o Fiat de Maria é descer ao íntimo de sua humanidade, de seu mistério. O mistério não se revela uma vez por todas, mas lentamente se abre os nossos olhos e Deus nos faz compreender o que irá acontecer. Por isso Maria conservava todas as coisas no seu coração, ia meditando-as para que tudo se fizesse realidade. Toda pessoa de fé caminha na noite, mas tem no coração a certeza que, um dia, o sol brilhará em todo o seu esplendor. Aprender na escola de Maria, mestra da oração, a dizer "sim" é deixar-se conduzir plenamente pela mão de Deus, sem saber aonde Ele nos conduzirá. O Fiat envolve toda a nossa inteligência e exige a resposta da fé. O nosso sim, à imitação de Maria, deve ser total, incondicional, mesmo quando não compreendemos, mesmo na revolta da nossa natureza; ou quando a cruz nos parece mais pesada; ou ao nosso redor as trevas se fazem mais espessas; quando o grito da dor rompe do nosso coração; quando nada parece ter sentido e nos sentimos sozinhos, sem apoio, é exatamente nesses momentos que devemos ter a coragem de dizer FIAT - faça-se! "Na fé de sua humilde serva, o dom de Deus encontra o acolhimento que esperava desde o começo dos tempos. Aquela que o Todo-poderoso tornou 'cheia de graça' responde pela oferenda de todo seu ser: 'eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo tua palavra'. Fiat, esta é a oração cristã: ser todo dele porque Ele é todo nosso" (Cat 2617). Contemplação de olhos abertos Ensinaram-nos que a contemplação acontece quando ficamos de olhos fechados, despreocupados de tudo o que pode acontecer ao nosso redor. Que o contemplativo é alguém meio alienado, que mergulha no seu próprio ser sem sentir mais o peso da vida e sem se angustiar pelas milhares de pessoas que, a cada dia, morrem de fome ou lutam para reconquistar a própria liberdade. Deram-nos a imagem do contemplativo como alguém meio estranho, distante de tudo, preocupado apenas com seus cânticos e rezas, mas pouco atento ao que acontece na vida de cada dia, afinal, "ser contemplativo é interceder pelos outros sem saber por que; é Deus quem vai saber como 'distribuir' as orações que recebe". Nada de mais aberrante e sem fundamentação! Maria, a intercessora, contemplativa, está toda atenta nas bodas de Caná; não foge para se retirar em oração, esconder-se aos olhos dos outros. Gosto de imaginar Maria de pé, entre a sala dos convidados e a cozinha, olhando tudo o que vai acontecendo. E ao perceber que os servidores não passam mais rapidamente para servir o vinho, ela não fica indiferente, mas se preocupa e tenta solucionar o problema. "Não têm mais vinho!" Estas palavras têm uma força toda especial na nossa vida orante. Não é suficiente suplicar, é preciso conhecer os sofrimentos dos irmãos pelos quais rezo. A oração nasce da realidade, da vida. Quanto mais estivermos no meio do povo, mais perceberemos suas necessidades. Portanto, a Igreja quer que os contemplativos e as contemplativas estejam informadas sobre o que acontece no mundo e na Igreja. Viver os problemas dos outros estando ao lado... Não se pode assumir o que não se conhece. Maria, nas bodas de Caná, nos faz compreender que a vida é sempre festa, alegria, aliança, matrimônio. Não se celebra uma festa sozinho, separado dos outros. Mas muitas vezes a festa é estragada pela falta de pequenas ou grande coisas. O maior pecado é o egoísmo, que nos impede de ver que vinho falta na grande festa da vida: o vinho da fé, do amor, da esperança. "O Evangelho nos revela como Maria ora e intercede na fé: em Caná a mãe de Jesus pede a seu filho pelas necessidades de um banquete de núpcias, sinal de outro Banquete, o das núpcias do Cordeiro que dá seu Corpo e Sangue a pedido da Igreja, sua Esposa. E é na hora da nova Aliança, ao pé da Cruz, que Maria é ouvida como a Mulher, a nova Eva, a verdadeira 'mãe dos vivos'" (Cat 2618). Olhando o futuro O orante não pode se fixar no passado, agradecendo; ou no presente, louvando; mas o seu olhar profético enxerga longe e contempla o futuro. O Magnificat de Maria é o canto do futuro. Ela mesma, tomada pelo Espírito Santo na visita à sua prima Isabel, diz: "Todas as gerações me chamarão de bem-aventurada"... O bem que fazemos hoje não pode permanecer enterrado, mas será cantado por todas as gerações que virão. Como é maravilhoso contemplar a história dos grandes profetas, santos que continuam vivos na história de sempre. Suas palavras e gestos permanecem para nós como modelo de vida e nos estimulam! Maria contempla o futuro. Sabe que pelo seu "sim" o mundo não será mais o mesmo, algo extraordinário acontecerá. A nossa oração deve ser fermento escondido que vai transformando o futuro; somos semeadores. Uma vez Jesus disse, para animar os apóstolos no ministério às vezes árduo e difícil: "Vocês recolhem o que os outros semearam, e os outros recolherão o que os outros semearem"... O orante não se preocupa em fazer colheita, mas em lançar as sementes abundantemente, sabendo que elas, quer estejamos dormindo ou acordados, germinarão pela força que lhes é própria. "Por isso o cântico de Maria, o 'Magnificat' latino, o 'Megalynário' bizantino, é ao mesmo tempo o cântico da Mãe de Deus e o da Igreja, cântico da Filha de Sião e do novo Povo de Deus, cântico de ação de graças pela plenitude de graças distribuídas na Economia da salvação, cântico dos 'pobres', cuja esperança é satisfeita pela realização das promessas feitas a nossos 'pais' em favor de Abraão e de sua descendência para sempre" (Cat 2619). A nossa oração, com Maria, recupera o sentido genuíno da fé, da esperança e do amor. Maria nos convida a olhar o nosso futuro, a sermos semeadores de esperança, a dizer corajosamente no "aqui e agora" o nosso 'sim', grávido das conseqüências do amor e da libertação. Em momento algum da vida de Nossa Senhora encontramos desesperança ou tristeza, mas sempre ânimo e coragem. A oração é a fonte de todo o bem que está escondido dentro de nós. O orante nunca, seja qual for a situação em que se encontra, será desanimado, ele vive a chama da esperança e do amor. Aprender a rezar com Maria é percorrer novamente a sua vida, de Nazaré ao Calvário, do Calvário ao Cenáculo... Sempre animada e dócil ao Espírito Santo, que faz dela a primeira mulher evangelizada e a primeira evangelizadora. Maria se apresenta como modelo pleno de todas as virtudes; nela o amor habitou em plenitude, por isso se torna nossa mãe, modelo e mestra. Releia lentamente o Magnificat (Lc 1,46-55) e as Bodas de Caná (Jo 2,1-11). Reviva em seu coração as atitudes de súplica e louvor, e se entregue, nos momentos difíceis e incompreensíveis de sua vida, nas mãos de Deus, pronunciando as palavras de Maria, grávidas de fé pura: FIAT. Esta é a assinatura que deve constar no final de todas as nossas orações. "Que alegria pensar que a Virgem Imaculada é nossa mãe! Ela nos ama e conhece nossa fraqueza, que temos a temer?" (Santa Teresinha). www.comshalom.org (pesquisa) www.cantinhoencantado.blogs.sapo.pt (animação)

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